OUTRAS
LITERATURAS, ALGUNS AUTORES
14ª Vinheta
FULVIO ABBATE
Fulvio Abbate (1956-) é um caso peculiar no contexto das letras italianas.
Porquê? Porque este escritor siciliano é, antes do mais, um comunicador e um
agitador. Como jornalista, depois de um período como redator num jornal de
Palermo, foi, durante quase duas décadas, colunista de L’Unitá; a seguir, com bastante
regularidade, participou em diversos programas de televisão, como comentador da
vida política italiana, ao mesmo tempo, que mantinha um programa próprio num
canal por cabo; por fim, decidiu passar esse programa para o YouTube.
Depois de romper com o PC italiano, que considerava demasiado conservador,
começou (?) a defender posições anarquistas e fundou no seu país o movimento Situazionismo
e libertà. É membro do College de Pataphysique. Grande admirador de Pasolini, a
quem dedicou alguns livros e uma investigação jornalística para deslindar os
reais motivos da sua morte, tem-se também centrado, em diversas revistas e jornais,
à análise e estudo das obras de alguns dos principais artistas plásticos de
vanguarda.
Como romancista, já publicou, desde o início dos anos
noventa, mais de meia dúzia de obras. Os temas vão desde Palermo e o seu
entusiasmo adolescente pelo comunismo (“Zero maggio a Palermo”), à Itália
actual, mergulhada num ininterrupto “caldo” televisivo (“Oggi è un secolo”), às
“articulações” entre a Itália fascista e o presente (“Dopo l’estate”), ao
delírio revolucionário dos anos setenta e oitenta (“Quando è la rivoluzione”), etc.
Inclassificável, forte satirista (um dos seus romances chama-se “La peste bis”,
uma espécie de paródia pós-moderna do romance de Albert Camus), reconhece-se
que Fulvio Abbate tem, entre o humor e o lirismo, um estilo bem peculiar, com
uma forte componente experimental. Por fim, infletiu de novo na sua produção
narrativa, centrando-se num modelo que desliza da autoficção para um “delírio
autobiográfico”, onde integra a história cultural italiana com fantasias, os
mitos da cultura popular e os seus anseios como homem e cidadão (“Intanto anche dicembre è passato”, “La peste nuova” e “I promessi
sposini”).
Infatigável, Fulvio Abbate continua a diversificar-se por
inúmeras actividades, tendo publicado vários livros sobre a sua Palermo natal,
sobre Roma e, como já se referiu, sobre Pier Paolo Pasolini.
“LOve”, uma das suas últimas obras, é, mais uma vez,
inclassificável: romance, autobiografia, tratado, manual, é tudo isto ao mesmo
tempo, fazendo uma espécie de peregrinação por lugares, pessoas, momentos,
emoções, em resumo, apresenta-se como uma espécie de “suma” dos afectos que lhe
calharam em destino…
Saliente-se também que fez a introdução à edição italiana de “O
Banqueiro Anarquista” de Fernando Pessoa.
Desconheço a autoria da foto do escritor.


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