quarta-feira, 13 de maio de 2020

FULVIO ABBATE



OUTRAS LITERATURAS, ALGUNS AUTORES

14ª Vinheta



FULVIO ABBATE


Fulvio Abbate (1956-) é um caso peculiar no contexto das letras italianas. Porquê? Porque este escritor siciliano é, antes do mais, um comunicador e um agitador. Como jornalista, depois de um período como redator num jornal de Palermo, foi, durante quase duas décadas, colunista de L’Unitá; a seguir, com bastante regularidade, participou em diversos programas de televisão, como comentador da vida política italiana, ao mesmo tempo, que mantinha um programa próprio num canal por cabo; por fim, decidiu passar esse programa para o YouTube.

Depois de romper com o PC italiano, que considerava demasiado conservador, começou (?) a defender posições anarquistas e fundou no seu país o movimento Situazionismo e libertà. É membro do College de Pataphysique. Grande admirador de Pasolini, a quem dedicou alguns livros e uma investigação jornalística para deslindar os reais motivos da sua morte, tem-se também centrado, em diversas revistas e jornais, à análise e estudo das obras de alguns dos principais artistas plásticos de vanguarda.

Como romancista, já publicou, desde o início dos anos noventa, mais de meia dúzia de obras. Os temas vão desde Palermo e o seu entusiasmo adolescente pelo comunismo (“Zero maggio a Palermo”), à Itália actual, mergulhada num ininterrupto “caldo” televisivo (“Oggi è un secolo”), às “articulações” entre a Itália fascista e o presente (“Dopo l’estate”), ao delírio revolucionário dos anos setenta e oitenta (“Quando è la rivoluzione”), etc. Inclassificável, forte satirista (um dos seus romances chama-se “La peste bis”, uma espécie de paródia pós-moderna do romance de Albert Camus), reconhece-se que Fulvio Abbate tem, entre o humor e o lirismo, um estilo bem peculiar, com uma forte componente experimental. Por fim, infletiu de novo na sua produção narrativa, centrando-se num modelo que desliza da autoficção para um “delírio autobiográfico”, onde integra a história cultural italiana com fantasias, os mitos da cultura popular e os seus anseios como homem e cidadão (Intanto anche dicembre è passato”, “La peste nuova” e “I promessi sposini”).

Infatigável, Fulvio Abbate continua a diversificar-se por inúmeras actividades, tendo publicado vários livros sobre a sua Palermo natal, sobre Roma e, como já se referiu, sobre Pier Paolo Pasolini.

“LOve”, uma das suas últimas obras, é, mais uma vez, inclassificável: romance, autobiografia, tratado, manual, é tudo isto ao mesmo tempo, fazendo uma espécie de peregrinação por lugares, pessoas, momentos, emoções, em resumo, apresenta-se como uma espécie de “suma” dos afectos que lhe calharam em destino…

Saliente-se também que fez a introdução à edição italiana de “O Banqueiro Anarquista” de Fernando Pessoa.  

Desconheço a autoria da foto do escritor.


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