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sábado, 2 de abril de 2022

ANNA BAAR

 


1.     A Vontade de Ler: um Autor, uma Obra.

     Anna Baar (1973-)


É uma escritora austríaca de origem croata, onde passou parte da sua infância. Desde 2012, publicou poesia, contos, libretos de ópera e três romances. Os seus livros têm sido nomeados para vários prémios austríacos, integrando as suas shortlists. É reconhecida pela crítica de língua alemã como uma escritora relevante no quadro actual literatura austríaca. Não tem nenhum livro traduzido.

“Nil”, o seu último romance, publicado em 2021, centra-se num(a) narrador(a) que escreve histórias em folhetim para uma revista feminina. A sua história vai-se desenvolvendo, de acordo com as reacções dos leitores, até que recebe um ultimato do seu editor para que a conclua e conceba um final, mesmo que abrupto, mas que satisfaça quem a lê. E, perante esta imposição, a narradora sente-se confusa, não só não conseguindo apanhar uma solução satisfatória, mas principalmente temendo os reflexos que essa solução poderá ter sobre a sua vida “real”, convicta que as personagens que criou lhe irão escapar e que, de alguma forma, irão transpor a fronteira entre a ficção e a realidade, confrontando-a e afectando o seu porvir.

 Segundo os críticos, “Nil” é, ao mesmo tempo, denso e bem-humorado, com personagens secundárias bem delineadas e originais, revelando-se como uma reflexão inovadora sobre o papel da escrita de ficção.  

Abril de 2022

 

Direitos da foto da autora de “Klagenfurt”.



quinta-feira, 12 de novembro de 2020

FRITZ HABECK

 

OS ESCRITORES IMPOSSÍVEIS


II



FRITZ HABECK

 

Fritz Habeck (1916-1997) é um escritor austríaco que se dedicou a escrever romances, contos, biografias, peças de teatro, guiões e livros para a infância e juventude. Foi, no entanto, no género romanesco que mais se realçou, obtendo vários prémios literários, em que se destacam o Adalbert Stifter-Preis e o Manès Sperber-Preis.

Começou a publicar no início dos anos quarenta, com uma biografia romanceada de François Villon (“Der Scholar vom linken Galgen”). Mas, entretanto, foi incorporado no exército austríaco, participando activamente na II Guerra Mundial, intervindo na invasão da Polónia, onde foi promovido a tenente, no cerco de Estalinegrado, e acabando por ser preso pelo exército americano na Batalha da Normandia, já com o cargo de tenente-coronel. Como referiu em diversas entrevistas, “foi soldado, mas nunca foi nazi” e, de facto, já na biografia acima referida, estão implícitas várias críticas à dimensão totalitária do regime hitleriano.

Depois da sua libertação, regressou à Áustria e voltou a dedicar-se à literatura. No início da década de cinquenta, publicou um dos seus romances mais relevantes (“Das Boot kommt  nach Mitternacht”, 1953), claramente resultante da sua experiência de guerra. Profundamente impressionado com o estilo de Ernest Hemingway (com quem amplamente se correspondeu), Habeck decidiu posteriormente dedicar-se ao género policial (assinando-os com o pseudónimo de Glenn Gordon) e à análise do período de reconstrução da Áustria do pós-guerra, publicando em 1958, entre muitos outros, o romance que é considerado a sua obra-prima: “Der Ritt auf dem Tiger”. Nestes romances, o autor destaca em particular a forma como sociedade austríaca procurou “silenciar” o seu passado de cumplicidade com o regime nazi e a sua participação activa no Holocausto como via de obter uma nova “normalidade”.

Robert Menasse considerou-o um dos mais importantes autores austríacos do período imediatamente posterior à II Guerra Mundial em “Die sozialpartnerschaftliche Ästhetik”.

Algumas das suas obras foram traduzidas para inglês, francês e italiano nas décadas de cinquenta e sessenta. Hoje encontram-se esgotadas.

 

Novembro de 2020

Desconheço a autoria da foto do escritor.