quinta-feira, 12 de novembro de 2020

FRITZ HABECK

 

OS ESCRITORES IMPOSSÍVEIS


II



FRITZ HABECK

 

Fritz Habeck (1916-1997) é um escritor austríaco que se dedicou a escrever romances, contos, biografias, peças de teatro, guiões e livros para a infância e juventude. Foi, no entanto, no género romanesco que mais se realçou, obtendo vários prémios literários, em que se destacam o Adalbert Stifter-Preis e o Manès Sperber-Preis.

Começou a publicar no início dos anos quarenta, com uma biografia romanceada de François Villon (“Der Scholar vom linken Galgen”). Mas, entretanto, foi incorporado no exército austríaco, participando activamente na II Guerra Mundial, intervindo na invasão da Polónia, onde foi promovido a tenente, no cerco de Estalinegrado, e acabando por ser preso pelo exército americano na Batalha da Normandia, já com o cargo de tenente-coronel. Como referiu em diversas entrevistas, “foi soldado, mas nunca foi nazi” e, de facto, já na biografia acima referida, estão implícitas várias críticas à dimensão totalitária do regime hitleriano.

Depois da sua libertação, regressou à Áustria e voltou a dedicar-se à literatura. No início da década de cinquenta, publicou um dos seus romances mais relevantes (“Das Boot kommt  nach Mitternacht”, 1953), claramente resultante da sua experiência de guerra. Profundamente impressionado com o estilo de Ernest Hemingway (com quem amplamente se correspondeu), Habeck decidiu posteriormente dedicar-se ao género policial (assinando-os com o pseudónimo de Glenn Gordon) e à análise do período de reconstrução da Áustria do pós-guerra, publicando em 1958, entre muitos outros, o romance que é considerado a sua obra-prima: “Der Ritt auf dem Tiger”. Nestes romances, o autor destaca em particular a forma como sociedade austríaca procurou “silenciar” o seu passado de cumplicidade com o regime nazi e a sua participação activa no Holocausto como via de obter uma nova “normalidade”.

Robert Menasse considerou-o um dos mais importantes autores austríacos do período imediatamente posterior à II Guerra Mundial em “Die sozialpartnerschaftliche Ästhetik”.

Algumas das suas obras foram traduzidas para inglês, francês e italiano nas décadas de cinquenta e sessenta. Hoje encontram-se esgotadas.

 

Novembro de 2020

Desconheço a autoria da foto do escritor.


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