sexta-feira, 24 de junho de 2022

RACHID O.

 


A Vontade de Ler: Um Autor, Uma Obra

24. Rachid O. (1970-)

É o pseudónimo de um escritor marroquino de língua francesa, radicado em França desde os vinte anos, e que até hoje publicou quatro livros de narrativas, onde assume abertamente a sua homossexualidade e utiliza a sua experiência pessoal como matéria-prima.

Os narradores dos livros de Rachid O., num contínuo monólogo, vão reflectindo, num estilo límpido e lírico, na esquiva felicidade que se corporiza em fugazes encontros e relações amorosas, no fascínio pela cultura e pelo conforto (o “Chocolat chaud” do título de uma das suas narrativas) do modo de vida ocidental, mas também na inevitável nostalgia da beleza e da tepidez da sua terra de origem; e ainda no estigma violento com que a moral e a religião muçulmana os marca por causa do seu estatuto sexual e que se reflecte no repúdio familiar (tanto mais doloroso quanto sentem uma enorme paixão pela figura paterna, pela sua integridade e pelo seu sentido de dádiva).

“Analphabetes”, 2013, o seu último “romance”, mantendo as características dos livros anteriores, tem, provavelmente, um interesse maior, visto que, seguindo o mesmo registo pessoal, abre-se, inequivocamente, a uma maior dimensão política (sem ser, no entanto, uma obra abertamente militante), já que descreve diversas formas e situações de analfabetismo. Analfabetos, segundo o autor/narrador, somos todos nós um pouco, principalmente quando não conseguimos compreender o Outro, e o rejeitamos, ou não somos capazes expressar o que se sente e pensa (como sucedeu confessadamente com o autor durante os dez anos que antecederam este livro). Assim, ao longo da obra, vão aparecendo várias personagens (e situações) que exemplificam esta visão do mundo: o seu pai, recentemente falecido, que era literalmente analfabeto, mas com uma serena compreensão do mundo, o irmão “bem-intencionado” que exige do narrador o abandono do celibato em nome da moral, a jovem mulher que, sob o jugo patriarcal, é humilhada a comprovar a sua virgindade, o prostituto permanentemente difamado, o colono que, incapaz de perceber a prepotência sexual e amorosa do seu estatuto, é vítima do seu amante, etc., etc..

Junho de 2022.

Desconheço a autoria da foto do escritor.



segunda-feira, 20 de junho de 2022

RABEE JABER

 


A Vontade de Ler: Um Autor, Uma Obra

23. Rabee Jaber (1972-)

É um escritor libanês, de expressão árabe, que escreveu dezanove romances em pouco mais de vinte anos. Esta produção literária ininterrupta transformou o autor (um homem com uma vida reclusa e pouco dado a vir a público e a participar em actos mundanos) numa das figuras mais proeminentes da literatura libanesa. A confirmar este estatuto, estão os factos de os seus últimos romances terem sido seleccionados para o International Prize for Arabic Fiction (o mais importante galardão para narrativas em árabe), tendo o seu penúltimo, intitulado (em tradução literal para inglês) “The Druze of Belgrade”, ganho este galardão (rezam as crónicas, que o autor, quando percebeu quais eram as cerimónias públicas em que era necessário estar presente, decorrentes desta outorga, pura e simplesmente, “fugiu” de Abu Dhabi, cidade onde está sitiado o prémio) e de ter sido seleccionado como um dos autores mais importantes de língua árabe com menos de quarenta anos na antologia Beirut39, organizada pelo festival literário internacional “Hay Festival”, em 2007, na altura em que Beirute foi Capital Mundial do Livro. Por último, convém assinalar que Rabee Jaber foi jornalista cultural no “Al-Hayat”, um dos mais importantes jornais árabes (entretanto encerrado), e que a partir de 2014, segundo se pode saber (dadas as dificuldades em conhecer no Ocidente a produção literária árabe, há que efectuar sempre esta ressalva), não publicou mais nenhum livro.

Seja qual for o quadro temporal das obras do autor (Rabee Jaber escreveu alguns romances históricos, como é o caso do já referido), percebe-se que o seu tema nuclear são as guerras religiosas, o que não admira, tendo em conta o percurso histórico do seu país. No entanto, não são tanto os conflitos em si que interessam o autor (à parte, eles estarem sempre presentes como “pano de fundo”, com o seu cortejo brutal de chacinas e de massacres), mas as consequências e os traumas que deixaram. E não só psicológicos (medo, ódio, consciência constante da fragilidade da vida, etc.), mas também de desfiguração de valores e princípios e até de perca de identidade.

Os romances mais referenciados de Rabee Jaber são, para além do já acima citado, “America”, 2010, situado no princípio do séc. XX e centrando-se na emigração como forma de procurar a salvação e a subsistência num mundo destituído de referências culturais comuns, “The Birds of the Holiday Inn”, 2012, contextualizado na guerra civil de 1975-76 e sobre como sobreviver e organizar o quotidiano no seio de uma semelhante situação, “The Mehlis Report”, 2006, sobre os constantes sequestros e atentados a diversas personalidades no seu país, e em torno do relatório da ONU sobre o assassínio do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, e “Byretus, Undeground City”, 2005, com uma componente fantástica acentuada, sobre uma cidade subterrânea de Beirute, onde os seus mortos subsistem e procuram reconstruir a existência que a cidade da superfície lhes roubou.

Mas o romance que suscita mais interesse é “Confessions” de 2008. Não se julgue, pelo título, que este romance tenha algum aspecto de autobiográfico, mesmo recorrendo, em termos de referência, às “Confissões” de Santo Agostinho, pois também aqui a memória é entendida como um “palácio labiríntico com imensos quartos”.

A obra, de uma assustadora violência, tem, como narrador, um homem que viveu toda a infância e adolescência sob a guerra civil libanesa e que soube, pelo pai moribundo, quando lhe contou que tinha decidido escrever a sua história, que tinha sido retirado de um carro, ferido e ensanguentado, com quatro ou cinco anos, onde a sua família original fora toda dizimada num ataque perpetrado por ele e pelo irmão mais velho, no campo de refugiados de Shatila (prática a que se dedicavam frequentemente), e que fora trazido para “substituir” um outro filho dele também sequestrado e assassinado.

Percebe-se que o romance, para além dos temas do ódio, da morte e das sequelas longas do terror, é uma sinuosa indagação sobre a identidade e a memória. Numa linguagem crua, mas ao mesmo tempo poética, o narrador vai questionar-se sobre o valor e o sentido dos referentes com que construiu a sua memória, uma vez que todos os seus registos “arderam”, não sabendo qual é a sua religião nem a sua cultura, e principalmente que “inimigo” vive dentro dele.

Não há, no entanto, nestas “memórias” de um homem sobre a sua infância nem nenhum gosto do macabro (à parte, existirem, obviamente, muitas situações e descrições verdadeiramente brutais), nem nostalgia. Com a serenidade daquilo que é uma necessidade vital, o narrador vai percorrendo, fragmentariamente, a espiral do seu terror mais íntimo, percebendo que, no final, apenas encontrará um buraco negro.

Alguns romances de Rabee Jaber foram traduzidos para inglês, francês, alemão e italiano.

Junho de 2022

Desconheço a autoria da foto do escritor.



quinta-feira, 16 de junho de 2022

GIOVANNI DI IACOVO

 


A Vontade de Ler: Um Autor, Uma Obra

22. Giovanni Di Iacovo (1975-)

É um escritor italiano que, até hoje, já publicou cinco romances, um livro indefinível sobre a cultura pop gótica, alguns contos em antologias, e diversos ensaios sobre a literatura italiana contemporânea e de crítica literária comparada, fruto do seu trabalho como professor e investigador na Universidade Gabriele d’Annunzio de Pescara, sua cidade natal. Durante algum tempo dedicou-se também à gestão administrativa local, é organizador e programador de um festival literário, guionista de programas de televisão e de filmes, e integrou uma banda musical electropop italo-alemã chamada Anticorpi.

Há, na sua obra narrativa, uma fortíssima dimensão lúdica, fantasista até, em que se joga e mescla a iconologia pop e televisiva com os arquétipos da tradição literária e judaico-cristã. Mas essa estratégia narrativa está focada na realidade quotidiana, analisando e satirizando os comportamentos sociais (e culturais) contemporâneos. E os temas podem ir desde os níveis diversos de sofrimento e dor e o efeito anestesiante da televisão (aproveitando, como contexto, a guerra da Bósnia, como é o caso do seu primeiro romance, “Sushi Bar Sarajevo”, 2006), a actual obsessão consumista e hedonista (“Tutti i poveri devono morire”, 2010), a violência sexual, a prostituição e o HIV (“La sindrome dell’ira di Dio”, 2013), ou ainda os modelos românticos, constantemente renovados, das relações amorosas, como sucede em “Confessioni di uno Zero”, 2018.

Provavelmente, o romance mais interessante seja “Tutti i poveri devono morire”. O romance centra-se numa “comunidade” internacional da alta burguesia, conhecida pelo nome de “Cenacolo di Caino”, que se dedica, por simples prazer, a todo o tipo de crimes e de violência sobre as classes mais pobres e desfavorecidas. A questão nevrálgica desta “seita” está em criar todo o tipo de relações e de códigos que permitam a impunidade e a continuidade do massacre. Para narrar esta trama, tão absurda como complexa, de banalização do assassínio, o autor reencaminha-a para “tournures” bem rocambolescas, num estilo sarcástico e delirante, com personagens com comportamentos pretensamente racionais dentro da sua irracionalidade ética. Por último, mas não menos importante, o romance revela-se como uma espécie de sinuosa e macabra parábola sobre a actual sociedade mercantil e sobre o estatuto de consumidores (ou de consumíveis) que todos temos.  

Junho de 2022.

Desconheço a autoria da foto do escritor.

 



sexta-feira, 10 de junho de 2022

MICHAEL KAAN

 


A Vontade Ler: Um Autor, Uma Obra

21. Michael Kaan (1969-)

É um autor canadiano, filho de um pai de Hong Kong e de uma mãe canadiana, que publicou um único romance, “The Water Beetles”, 2017, com que foi finalista do Governor General’s Award (o mais importante prémio literário canadiano) para língua inglesa e ganhou o Books in Canada First Novel Award. Profissionalmente, é administrador hospitalar em Manitoba, sua cidade natal.

O romance (inspirado pelas memórias do pai do autor, que a mãe lhe entregou após a sua morte) inicia-se com um jovem de doze anos, filho de uma muito próspera família de Hong Kong, que, de súbito, vê a sua vida totalmente transformada com a conquista da cidade pelos japoneses em 1941. Depois de uma fase inicial, em que a família se barrica no seu palacete, temendo a violência que corria pelas ruas, os pais optaram, dada a escassez de víveres, dividir a família e “empurrar” os dois filhos mais novos (que inclui o protagonista) e outros familiares para fora de casa, para procurarem no interior da China formas de sobrevivência. Passado algum tempo, o protagonista é capturado pelos japoneses, e retido num campo de concentração, durante dois anos; até que, finalmente, consegue fugir, com o seu irmão, esquivando-se aos seus carcereiros, e regressar a sua casa. Durante a “fuga”, o jovem vê-se mergulhado nos horrores da guerra, constata a fome e a violência das aldeias chinesas, passa maus-tratos nas prisões japonesas e uma atroz fome.

Mas, no capítulo seguinte, constatamos que este protagonista é agora um velho médico, a viver em Kuala Lumpur, sofrendo as dificuldades da sua idade e com a sua incapacidade e inépcia para se adaptar as circunstâncias do tempo presente.

Entrecruzando capítulos entre o passado e o presente da personagem principal, percebe-se que “The Water Beetles”  não é, propriamente dito, um romance sobre os horrores da guerra (à parte, como é evidente, esses horrores estarem bem presentes), mas sim sobre a memória e sobre a forma como, ao longo da vida, os sobreviventes conseguem gerir as feridas silenciadas desse passado. Segundo a crítica, numa escrita contida, mas, ao mesmo tempo, introspectiva e poética, e revelando grande domínio das técnicas narrativas, o romance é, no essencial, uma reflexão ficcionada sobre a gestão da memória, sobre aquilo que ela emudece e recria, e como essa gestão determina, inevitavelmente, a forma de encarar a vida, a relação com os outros e até o próprio luto e a morte.

Junho de 2022.

Desconheço a autoria da foto do escritor.



segunda-feira, 6 de junho de 2022

JEAN-FRANÇOIS HAAS

 


A Vontade de Ler: Um Autor, uma Obra

20. Jean-François Haas (1952-)

É um escritor suíço, de expressão francesa, que começou a publicar romances já tardiamente (com 55 anos), tendo já publicado seis romances e uma colectânea de contos, e obtendo, com essas obras, diversos prémios nacionais (em particular, com o seu primeiro livro, “Dans la gueule de la baleine guerre”,2007).

Os seus romances, sempre focados na realidade contemporânea (a Segunda Guerra Mundial, a exploração económica, os emigrantes e os refugiados, por exemplo), são, antes do mais, complexas parábolas que utilizam diversos registos estilísticos (incluindo o próprio calão), reflectindo sobre a violência e a presença do mal ao longo da história de hoje. Partindo de um confessado humanismo assente em valores judaico-cristãos, a obra de Jean-François Haas parte do pressuposto de que o Mal (assim como, obviamente, a busca do Bem) faz parte da própria natureza humana e, por conseguinte, torna-se determinante compreender como esta “pulsão”, chamemos-lhe assim, pode ser atenuada ou, favoravelmente, reencaminhada para o Bem. Segundo o autor, claramente expresso por diversos meios, é fundamentalmente através do amor (em todas as suas manifestações) e do perdão. Para este “percurso”, é decisivo o papel da narrativa e da ficção, como forma estruturante de situar o homem e compreender a história (que aparece, por vezes, ao nível pessoal, como um factor condicionante desse percurso), e o sentido do belo (ou, por outras palavras, da criação artística) como “farol” para o reposicionar (e até redimir).

Esta doutrina, aparentemente simples, depois contextualizada, em termos romanescos, através de diversos focos e temas, coloca todas as suas obras no mesmo patamar, ainda que os modelos narrativos, com a sua componente experimental, os contextos, as personagens e as situações variem substancialmente.

Mesmo tendo uma similitude estrutural (o fio condutor é a rememoração da existência de um homem) com o seu primeiro romance, o já referido “Dans la gueule de la baleine guerre”,2007, a obra que me chama mais a atenção é a última, “Tu écriras mon nom sur les eaux”, 2019. Deve-se, no entanto, assinalar, nem que seja por mera curiosidade “nacional”, a sua colectânea de contos “Le Testament d’Adam”, 2017, pois, num deles, uma das personagens é um jovem de origem portuguesa, um “secondo”, que se confronta com um professor suíço num exame oral em torno do Tratado de Tordesilhas…

Este romance é uma dupla saga, em redor de dois emigrantes: um suíço, com uma infância de maus-tratos, e outro, um judeu ucraniano, de Odessa, que perdeu os seus, nas escadarias, quando da revolta do Potemkin. Encontram-se em Colónia, e juntos, vão, durante sete anos, na década de vinte do século passado, procurar sobreviver, realizando todo o tipo de trabalhos, mas, principalmente, aproveitar-se dos seus ofícios (um alfaiate, outro sapateiro), para conseguirem economizar e realizar o seu sonho de emigrar, pagando a passagem para os Estados Unidos. Aqui chegados, vão de novo realizar todos os trabalhos que aparecem, até se estabelecerem e constituírem uma empresa. Tudo isto é narrado por um sobrinho-neto do primeiro, que lhe descreveu as inúmeras e dolorosas dificuldades que os dois emigrantes passaram, assim como as suas famílias, envolvidas nas atrocidades e conflitos que atravessaram a Europa e os Estados Unidos durante todo o século XX.

Junho de 2022.

 

Foto do autor de Charles Ellena.




sexta-feira, 3 de junho de 2022

LING XI

 


A Vontade de Ler: Um Autor, Uma Obra

19. Ling Xi (1972-)

É uma autora chinesa que decidiu expressar-se literariamente em língua francesa, após ter emigrado para França em 1998 e aí se ter formado. Começou a publicar em 2006 e tem até hoje duas colectâneas de novelas e dois romances editados. Duas dessas obras foram publicadas por Maurice Nadeau (o director do jornal “La Quinzaine Littéraire” e, provavelmente, desde os anos sessenta, um dos mais notáveis leitores de literatura do séc. XX), o que, por si só, é um garante da qualidade literária da obra da autora.

Como é natural, boa parte das suas narrativas situam-se na China e procuram reflectir as mutações culturais, sociais e económicas da sua população rural e urbana, com a correspondente desadequação e o consequente processo migratório. Mas, como a autora referiu numa entrevista, não pretende realizar um retrato folclórico nem efectuar nenhuma autobiografia (a única excepção, e redigida a pedido de Maurice Nadeau, é uma das novelas de  “L’Épaule du cavalier”, 2016, a que precisamente dá origem ao título da colectânea).

De facto, os romances da autora (“La Trosième moitié”, 2010, e “Gorge des Tambours”, 2022), espelhando um grande arco temporal, e envolvendo várias gerações, não pretendem propriamente “representar” o processo histórico. As personagens apenas reflectem a referida desadequação e a correspondente estranheza social e cultural, expressas numa escrita lírica e, de certo modo, simbólica. Talvez assim se compreenda por que motivo aparece, tanto nos romances como nas novelas, como tema recorrente, diversas formas de androgenia e de metamorfose. A androgenia não é apenas fruto de imposições, sentidas como absurdas, do Estado chinês, mas também de um paradigma cultural que dilui as fronteiras sexuais e o binarismo, e, de certo modo, corporiza o sentimento de desenraizamento cultural e de não-pertença a um lugar.

Por tudo isto, o livro que ainda parece mais fascinante de Ling Xi seja o primeiro, a colectânea de novelas intitulada “Été strident” de 2006. Essas três novelas têm, como personagens nucleares, seres desadequados e em permanente metamorfose: é o velho (em 2070) que recorda quando o seu pai o abandonou, com o sonho de ser poeta em Paris, e que viveu, fragilmente, sempre em contramão aos valores sociais dominantes e que se resigna a ser criador de baratas; o jovem operário, de uma beleza excepcional, que vive o sonho de ser um cantor lírico, que todas as noites se veste de mulher, com quimono de seda, para ir cantar a um salão de chá e que ninguém conhece objectivamente a sua identidade; ou o emigrante em Paris que, incapaz de aceitar o comportamento das suas colegas de escritório, vive num mutismo total, aterrorizado com a ideia de regressar à China, onde foi obrigado a viver a sua infância disfarçado de menina.

Por último, uma pequena nota que poderá ter a sua relevância: não é provavelmente por acaso que as personagens centrais das suas novelas sejam figuras masculinas.

Junho de 2022.

A autoria da foto da escritora é de Catherine Fruchon-Toussaint.