quinta-feira, 16 de junho de 2022

GIOVANNI DI IACOVO

 


A Vontade de Ler: Um Autor, Uma Obra

22. Giovanni Di Iacovo (1975-)

É um escritor italiano que, até hoje, já publicou cinco romances, um livro indefinível sobre a cultura pop gótica, alguns contos em antologias, e diversos ensaios sobre a literatura italiana contemporânea e de crítica literária comparada, fruto do seu trabalho como professor e investigador na Universidade Gabriele d’Annunzio de Pescara, sua cidade natal. Durante algum tempo dedicou-se também à gestão administrativa local, é organizador e programador de um festival literário, guionista de programas de televisão e de filmes, e integrou uma banda musical electropop italo-alemã chamada Anticorpi.

Há, na sua obra narrativa, uma fortíssima dimensão lúdica, fantasista até, em que se joga e mescla a iconologia pop e televisiva com os arquétipos da tradição literária e judaico-cristã. Mas essa estratégia narrativa está focada na realidade quotidiana, analisando e satirizando os comportamentos sociais (e culturais) contemporâneos. E os temas podem ir desde os níveis diversos de sofrimento e dor e o efeito anestesiante da televisão (aproveitando, como contexto, a guerra da Bósnia, como é o caso do seu primeiro romance, “Sushi Bar Sarajevo”, 2006), a actual obsessão consumista e hedonista (“Tutti i poveri devono morire”, 2010), a violência sexual, a prostituição e o HIV (“La sindrome dell’ira di Dio”, 2013), ou ainda os modelos românticos, constantemente renovados, das relações amorosas, como sucede em “Confessioni di uno Zero”, 2018.

Provavelmente, o romance mais interessante seja “Tutti i poveri devono morire”. O romance centra-se numa “comunidade” internacional da alta burguesia, conhecida pelo nome de “Cenacolo di Caino”, que se dedica, por simples prazer, a todo o tipo de crimes e de violência sobre as classes mais pobres e desfavorecidas. A questão nevrálgica desta “seita” está em criar todo o tipo de relações e de códigos que permitam a impunidade e a continuidade do massacre. Para narrar esta trama, tão absurda como complexa, de banalização do assassínio, o autor reencaminha-a para “tournures” bem rocambolescas, num estilo sarcástico e delirante, com personagens com comportamentos pretensamente racionais dentro da sua irracionalidade ética. Por último, mas não menos importante, o romance revela-se como uma espécie de sinuosa e macabra parábola sobre a actual sociedade mercantil e sobre o estatuto de consumidores (ou de consumíveis) que todos temos.  

Junho de 2022.

Desconheço a autoria da foto do escritor.

 



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