OS POEMAS
Entrou, dias
há, peçonha
clara pelos
nossos portos […]
uns
dormentes, outros mortos,
alguém pelas
ruas sonha.
Sá de
Miranda
Encontro-me
na margem de uma cidade sitiada
pelos
reformadores: decepam as cabeças daqueles santos
que eu
sempre venerei,
como aquela
nossa senhora do ó de abobada celeste
soprada no
ventre, a palma da mão no crânio do feto.
Deixo-me
sentar sobre a árvore da desolação e afago as chaves
da minha
solitária idade, comprimindo os dentes até
o sangue das
gengivas me molhar os lábios. E
João Kniff,
que me pressente sob um carvalho, pergunta-me
pela besta
divina com os olhos irradiando chamas.
Calo-me. Sei
que as armas acabaram, que os dias me reservam
só a espera
do último assalto sobre a cidade, o saque
dos vermes
sobre o corpo.
José Manuel
Cortês
Junho de
1973

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