OUTRAS
LITERATURAS, ALGUNS AUTORES
3ª Vinheta
LAXMAN GAIKWAD
Laxman Gaikwad (1956-) é um escritor
indiano, de língua marata (uma língua que é falada por mais de oitenta milhões
de pessoas, incluindo uma boa parte da população goesa), com mais de meia dúzia
de romances publicados, e que integra o movimento da “Literatura Dalit” (para
quem não está familiarizado com os termos indianos, recordo que “dalit” (ou
“sudras”) designa a casta mais baixa, de acordo com o modelo social instituído
pelo hinduísmo, e que é conhecida no Ocidente pelo termo pejorativo de
“intocáveis”).
Este autor, para além de ser “dalit”,
pertence à tribo nómada “uchalya”, que é tradicionalmente considerada como uma
tribo de ladrões (pois vivia de pequenos furtos) e que os britânicos, desde o
séc. XIX, condicionaram a possibilidade de trabalhar e de se deslocar livremente,
forçando-a a perenizar em modelos de subsistência de raíz criminal que a
ostracizaram e a levaram a um constante confronto com as autoridades.
É esta situação que Laxman Gaikwad
expõe na sua primeira obra, “Uchalaya”, uma autobiografia em que revela como o
seu pai, com riscos de ser banido da tribo, decidiu dar-lhe uma educação
escolar, retirando-o dos esquemas de formação instituídos dentro da tribo, que
apenas ensinam a roubar.
Mas o que faz deste livro uma
reconhecida obra-prima é a forma sensível e emotiva como o autor articula o seu
destino individual, feito de uma constante luta contra a fome, a miséria e a imundície,
com o destino colectivo da sua comunidade.
Hoje, Laxman Gaikwad é considerado um
autor clássico na sua literatura, e obteve, com “Uchalaya”, os maiores
galardões e prémios literários da India (incluindo o Sahitya Akademi Award), aquando da sua publicação em 1988.
“Uchalaya” é a única obra deste autor
acessível numa língua ocidental, pois foi traduzida para inglês com o título
“The Branded”.
Desconheço a autoria da foto do escritor.
Janeiro de 2020






