segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

LAXMAN GAIKWAD


OUTRAS LITERATURAS, ALGUNS AUTORES

3ª Vinheta



LAXMAN GAIKWAD

 
Laxman Gaikwad (1956-) é um escritor indiano, de língua marata (uma língua que é falada por mais de oitenta milhões de pessoas, incluindo uma boa parte da população goesa), com mais de meia dúzia de romances publicados, e que integra o movimento da “Literatura Dalit” (para quem não está familiarizado com os termos indianos, recordo que “dalit” (ou “sudras”) designa a casta mais baixa, de acordo com o modelo social instituído pelo hinduísmo, e que é conhecida no Ocidente pelo termo pejorativo de “intocáveis”).

Este autor, para além de ser “dalit”, pertence à tribo nómada “uchalya”, que é tradicionalmente considerada como uma tribo de ladrões (pois vivia de pequenos furtos) e que os britânicos, desde o séc. XIX, condicionaram a possibilidade de trabalhar e de se deslocar livremente, forçando-a a perenizar em modelos de subsistência de raíz criminal que a ostracizaram e a levaram a um constante confronto com as autoridades.

É esta situação que Laxman Gaikwad expõe na sua primeira obra, “Uchalaya”, uma autobiografia em que revela como o seu pai, com riscos de ser banido da tribo, decidiu dar-lhe uma educação escolar, retirando-o dos esquemas de formação instituídos dentro da tribo, que apenas ensinam a roubar.

Mas o que faz deste livro uma reconhecida obra-prima é a forma sensível e emotiva como o autor articula o seu destino individual, feito de uma constante luta contra a fome, a miséria e a imundície, com o destino colectivo da sua comunidade.     

Hoje, Laxman Gaikwad é considerado um autor clássico na sua literatura, e obteve, com “Uchalaya”, os maiores galardões e prémios literários da India (incluindo o Sahitya Akademi Award), aquando da sua publicação em 1988.

“Uchalaya” é a única obra deste autor acessível numa língua ocidental, pois foi traduzida para inglês com o título “The Branded”.

Desconheço a autoria da foto do escritor.

Janeiro de 2020
 

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