terça-feira, 21 de janeiro de 2020

WILL EAVES


OUTRAS LITERATURAS, ALGUNS AUTORES

2ª Vinheta




WILL EAVES

 

Will Eaves (1967-) é um escritor inglês que já publicou cinco romances e dois livros de poemas neste século. Para além disso, foi um colaborador regular do "Times Literary Suplement" e é hoje professor de Escrita Criativa na Universidade de Warwick. A sua obra já foi finalista em diversos prémios britânicos.

A sua obra narrativa, muito experimental, evidencia um estilo que utiliza uma ironia delicada e subtil e uma acentuada tonalidade melancólica. Além disso, é também de salientar o carácter peculiar e a justa adequação dos seus diálogos. As personagens têm, na maior parte das vezes, comportamentos imprevisíveis, integradas em situações aparentemente bizarras. Porém, Will Eaves procura, até nestes contextos invulgares, exprimir compreensão e empatia pelas suas personagens, mesmo pelas suas imperfeições.

Os seus romances abordam temas bem distintos, como a descoberta da sexualidade gay num “romance de formação” (“The Oversight”) ou o jogo de frustrantes peripécias e rivalidades no seio de uma companhia de teatro (“Nothing To Be Afraid Of”) ou ainda os conflitos surdos que existem dentro dos códigos de afecto de uma família, cujos membros, depois se dispersarem pelos seus destinos, regressam a casa para se confrontar e procurar entender o que correu mal (“This Is Paradise”). Mas a análise conjunta da sua obra permite que os críticos entendam que, no meio destes mundos díspares, haja sempre uma subterrânea coerência e uma visão em complexidade crescente.

Natural, por isso, que seja de destacar os seus dois últimos romances, dadas as suas características bem distintas.

O primeiro, “The Absent Therapist”, 2014, é um breve conjunto de mini-narrativas, reflexões, observações, pequenos comentários, redigidas em registos muito diferentes, que o autor intitula intrigantemente como “romance”, e que revelam a constante bizarria das existências, ou melhor, como as pessoas “são o que realmente parecem” e como a maioria delas têm uma singela opacidade que não permite nem justifica uma “leitura” segmentada.

O segundo, o último do autor, que saiu no ano passado, “Murmur”, centra-se numa personagem, Alec Pryor, que é inequivocamente um “duplo” do cientista Alan Turing (recordo que este matemático britânico, na década de cinquenta, optou por “aceitar” um tratamento hormonal de castração química como alternativa à prisão, a que fora condenado num processo-crime por atos homossexuais, o que terá motivado um possível suicídio, segundo a tese de David Leavitt, por exemplo). O romance busca compreender as mutações por que a mente de Pryor/Turing passa, após aceitar o tratamento que o leva à castração, e de como os sonhos (registados pelo próprio a conselho do analista junguiano que o acompanha neste processo) contribuem para a sua "programação" e como são “sinais” da sua gradual transformação psicológica para uma outra identidade, onde o desejo foi (ou será) “silenciado”.

“Murmur” foi traduzido para italiano.

Janeiro de 2020.
Desconheço a autoria da foto do escritor.


 


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