OS ESCRITORES IMPOSSÍVEIS
II
FRITZ HABECK
Fritz Habeck (1916-1997) é um
escritor austríaco que se dedicou a escrever romances, contos, biografias, peças
de teatro, guiões e livros para a infância e juventude. Foi, no entanto, no
género romanesco que mais se realçou, obtendo vários prémios literários, em que
se destacam o Adalbert Stifter-Preis e o Manès Sperber-Preis.
Começou a publicar no início dos anos
quarenta, com uma biografia romanceada de François Villon (“Der Scholar vom
linken Galgen”). Mas, entretanto, foi incorporado no exército austríaco,
participando activamente na II Guerra Mundial, intervindo na invasão da Polónia,
onde foi promovido a tenente, no cerco de Estalinegrado, e acabando por ser preso
pelo exército americano na Batalha da Normandia, já com o cargo de
tenente-coronel. Como referiu em diversas entrevistas, “foi soldado, mas nunca
foi nazi” e, de facto, já na biografia acima referida, estão implícitas várias críticas
à dimensão totalitária do regime hitleriano.
Depois da sua libertação, regressou à
Áustria e voltou a dedicar-se à literatura. No início da década de cinquenta,
publicou um dos seus romances mais relevantes (“Das Boot kommt nach Mitternacht”, 1953), claramente resultante
da sua experiência de guerra. Profundamente impressionado com o estilo de
Ernest Hemingway (com quem amplamente se correspondeu), Habeck decidiu posteriormente
dedicar-se ao género policial (assinando-os com o pseudónimo de Glenn Gordon) e
à análise do período de reconstrução da Áustria do pós-guerra, publicando em
1958, entre muitos outros, o romance que é considerado a sua obra-prima: “Der
Ritt auf dem Tiger”. Nestes romances, o autor destaca em particular a forma
como sociedade austríaca procurou “silenciar” o seu passado de cumplicidade com
o regime nazi e a sua participação activa no Holocausto como via de obter uma nova
“normalidade”.
Robert Menasse considerou-o um dos
mais importantes autores austríacos do período imediatamente posterior à II
Guerra Mundial em “Die sozialpartnerschaftliche Ästhetik”.
Algumas das suas obras foram
traduzidas para inglês, francês e italiano nas décadas de cinquenta e sessenta.
Hoje encontram-se esgotadas.
Novembro de 2020
Desconheço a autoria da foto do
escritor.





