segunda-feira, 31 de outubro de 2016

STEPHEN McCAULEY

 
 
                                         

DESEJO DE LER (1): STEPHEN McCAULEY
 A melhor caracterização que li da obra deste autor americano é a de que parece ser “filha de um de “caso” amoroso entre Edith Wharton e Woody Allen”. Noutros comentários, li também referências à proximidade com a obra da escritora inglesa Barbara Pym. De facto, os romances de Stephen McCauley são uma espécie de “comédia de costumes” (e junto aqui mais uma referência: a obra de Marivaux) passada numa urbana e sofisticada “upper middle class” americana dos dias de hoje, constituída principalmente por professores universitários, galeristas, artistas e escritores. E onde se encena a “floresta de logros e encontros amorosos”, gays e héteros, em que este grupo se envolve, desencantando-se e envelhecendo, com a naturalidade, muito humor e a aparente ligeireza de quem vive por dentro este universo e, ao mesmo tempo, vai obtendo dele um sábio distanciamento.
Foi esta “naturalidade” que impressionou o leitor (há já quarenta anos) do primeiro romance de Stephen McCauley (um professor universitário desde sempre assumidamente gay), intitulado The Object of My Affection. Depois, seguiram-se mais cinco (de facto, este autor não é muito prolífero), onde se destaca The Easy Way Out, The Man of the House, Alternatives To Sex e Insignifiant Others. Percebeu-se, conforme os seus romances foram aparecendo, que o projecto literário deste autor era bem simples e comum (e, por isso, talvez mais fascinante): mostrar como a liberalização dos costumes e a saída da homossexualidade do seu “gueto”, mesmo libertando muita gente de inúmeras situações trágicas e absurdas, não chegaram para alterar a “malaise” ontológica do homem nem contribuíram para superar a sua incapacidade de ser plenamente feliz.
Curiosamente, ou talvez não, a obra deste autor tem tanto ou mais sucesso em França do que nos Estados Unidos. 

(Foto do Autor de Susan Wilson

 

 
 
 


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