sábado, 15 de fevereiro de 2020

JONA OBERSKI


OUTRAS LITERATURAS, ALGUNS AUTORES


8ª Vinheta




JONA OBERSKI


Jona Oberski (1938-) é um escritor holandês, filho de uma família judia alemã que fugiu para a Holanda, poucos anos antes da II Guerra Mundial se iniciar. Nos anos setenta do século passado, começou a publicar prosa narrativa e tem até hoje três livros editados. É formado em física nuclear.

Mas, sem sombra de dúvida, o que distingue Jona Oberski é o seu primeiro livro, de cariz autobiográfico, “Kinderjaren” (na versão inglesa, “Childhood”), entre livro de memórias e romance, publicado pela primeira vez em 1978. Para além da sua qualidade literária,  o que é mais relevante nesta obra é a sua dimensão de testemunho sobre o universo concentracionário dos campos nazis, feito a partir do olhar de uma criança.

De facto, Jona Oberski, com a idade de dois anos, foi deportado, com a sua família, para o campo de Westerbork, e depois, para o de Bergen-Belsen. Aqui esteve detido durante três anos, onde viu morrer o seu pai de fome e a sua mãe enlouquecer de dor.

A sorte de Jona Oberski é que, passado esse tempo, foi deportado, com a mãe e uma tia, para Auschwitz e que o comboio, que o transportava, foi bombardeado por um avião russo, descarrilando e permitindo a sua fuga para uma pequena aldeia ainda na Alemanha, onde conseguiu sobreviver até ao final da guerra.

Os méritos particulares de “Kinderjaren” derivam não só de ser o “olhar” de uma criança para a situação de guerra e para a existência no campo de concentração, mas também porque a própria narrativa procura acompanhar a inteligibilidade que ela tem deste universo, entre a perplexidade e o medo, tornando-se fragmentada, ilusória, sujeita à mediação e à segurança que lhe são transmitidas pelos adultos. Por outro lado, o autor procura sempre expressar, com nitidez, a interpretação que uma criança de tenra idade (o protagonista tem sete anos quando o livro termina) faz das situações trágicas e inimagináveis que está a viver, e essa atitude narrativa transmite a esta obra uma dimensão de verosimilhança que, em termos literários, é a sua principal componente expressiva.  

“Kinderjaren” foi traduzido para inglês, francês, espanhol, alemão e italiano.


Fevereiro de 2020




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