OUTRAS
LITERATURAS, ALGUNS AUTORES
8ª Vinheta
JONA
OBERSKI
Jona Oberski (1938-) é um escritor
holandês, filho de uma família judia alemã que fugiu para a Holanda, poucos
anos antes da II Guerra Mundial se iniciar. Nos anos setenta do século passado,
começou a publicar prosa narrativa e tem até hoje três livros editados. É
formado em física nuclear.
Mas, sem sombra de dúvida, o que
distingue Jona Oberski é o seu primeiro livro, de cariz autobiográfico, “Kinderjaren”
(na versão inglesa, “Childhood”), entre livro de memórias e romance, publicado
pela primeira vez em 1978. Para além da sua qualidade literária, o que é mais relevante nesta obra é a sua
dimensão de testemunho sobre o universo concentracionário dos campos nazis, feito
a partir do olhar de uma criança.
De facto, Jona Oberski, com a idade
de dois anos, foi deportado, com a sua família, para o campo de Westerbork, e
depois, para o de Bergen-Belsen. Aqui esteve detido durante três anos, onde viu
morrer o seu pai de fome e a sua mãe enlouquecer de dor.
A sorte de Jona Oberski é que,
passado esse tempo, foi deportado, com a mãe e uma tia, para Auschwitz e que o
comboio, que o transportava, foi bombardeado por um avião russo, descarrilando
e permitindo a sua fuga para uma pequena aldeia ainda na Alemanha, onde
conseguiu sobreviver até ao final da guerra.
Os méritos particulares de “Kinderjaren”
derivam não só de ser o “olhar” de uma criança para a situação de guerra e para
a existência no campo de concentração, mas também porque a própria narrativa
procura acompanhar a inteligibilidade que ela tem deste universo, entre a
perplexidade e o medo, tornando-se fragmentada, ilusória, sujeita à mediação e
à segurança que lhe são transmitidas pelos adultos. Por outro lado, o autor
procura sempre expressar, com nitidez, a interpretação que uma criança de tenra
idade (o protagonista tem sete anos quando o livro termina) faz das situações
trágicas e inimagináveis que está a viver, e essa atitude narrativa transmite a
esta obra uma dimensão de verosimilhança que, em termos literários, é a sua
principal componente expressiva.
“Kinderjaren” foi traduzido para
inglês, francês, espanhol, alemão e italiano.


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