sexta-feira, 8 de abril de 2022

BENJAMIN MAACK

 


A Vontade de Ler: Um Autor, Uma Obra

3. Benjamin Maack (1978-)

 

É um escritor alemão que já publicou uma colectânea de poemas, dois livros de contos e uma narrativa longa de cariz biográfico. Um dos seus contos foi galardoado no Ingeborg-Bachmann-Preis e a revista Frankfurter Allgemeinen Sonntagszeitung englobou-o, em 2012, no conjunto dos vinte autores mais promissores da literatura alemã. É também jornalista.

Este reconhecimento crítico deve-se aos seus contos e, fundamentalmente, às duas colectâneas que publicou, com os títulos “Die Welt ist ein Parkplatz und endet vor Disneyland” (este delicioso título pode ser traduzido, literalmente, por “O Mundo É Um Parque de Estacionamento e Termina À Frente da Disneylandia”), 2007, e “Monster” (“Monstro”), 2012. A comunicação social salientava, em particular, o humor, o sentido crítico e o aparente nonsense realista das situações com personagens centrais comuns (e a chamarem-se todas Benjamin), incapazes de controlar certos momentos, banais mas decisivos, das suas vidas. Muito circunstanciados e inconclusivos, onde o humor não consegue desvanecer a ambiência opressiva, estes contos têm, como substracto, o tema da morte, que, nas suas diversas formas, está sempre presente.

Sucede que este prometedor percurso literário foi, de súbito, interrompido por um colapso nervoso e uma grave depressão. Durante vários anos, envolvendo prolongados internamentos e tratamento com psicotrópicos, Benjamin Maack foi obrigado a abandonar a sua vida habitual. Procurou então, através da escrita, “salvar-se”, registando, no seu segundo internamento, tudo o que vivia. Foi assim que nasceu “Wenn das noch geht, kann es nicht so schlimm sein” (em tradução literal, “Se Isto Ainda É Possível, Não Pode Ser Tão Mau”), o livro de 2020, em que, quase diariamente, anotou e reflectiu sobre a situação psicológica e física por que estava a passar.

Segundo a crítica, a narrativa descreve, de forma implacável e sem subterfúgios, todos esses momentos, desde a propensão suicida às euforias absurdas, desde o total bloqueio para pensar, resultante das drogas tomadas, ao quotidiano quase infantil na ala psiquiátrica, assim como os sentimentos de culpa por se tornar um peso para a família ou em que se convencia que nada mais poderia fazer com a sua vida. Para isso, teve que inventar uma linguagem fragmentária, com hiatos, que procurasse expressar essas emoções e estados físicos. Foi assim que o livro ultrapassou literariamente o mero relatório “clínico”, transformando-se num testemunho radical de uma doença que é ainda um tabu social. É essa dimensão de busca em expressar situações, que vão desde o quase vegetativo ao desespero total, e a utilização constante de uma certa ironia trágica, além de uma exigente e dolorosa sinceridade, como forma de análise catártica, que conferem a “Wenn das noch geht, kann es nicht so schlimm sein”  uma assinalada qualidade literária.  

Abril de 2022

 

Foto do autor de Heike Steinweg.



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