terça-feira, 5 de abril de 2022

TONY EARLEY


 

A Vontade de Ler: Um Autor, Uma Obra

2. Tony Earley (1961-)

É um escritor americano que obteve reconhecimento no seu país inicialmente como contista, tendo publicado contos nalgumas das revistas literárias mais relevantes dos Estados Unidos, como a “Harper’s”, “Granta” e “The New Yorker”. Nos anos noventa, foi seleccionado pela “Granta” como um dos “Best of Young American Novelists” ao lado de autores como Sherman Alexie, Madison Smart Bell, Ethan Canin, Jeffrey Eugenides, Jonathan Frazen e Lorrie Moore (para referir alguns dos mais conhecidos no nosso país). O seu primeiro livro foi publicado em 1994 e era uma colectânea de contos (“Here We Are In Paradise”).  

Mas reconhece-se habitualmente que é o seu primeiro romance, “Jim the Boy” (2000), a sua obra mais relevante. É um “Bildungsroman” sobre um jovem com dez anos na Carolina do Norte (Estado onde o autor passou a sua infância e adolescência), vivendo com a mãe (o pai morreu ainda ele não tinha nascido) e três tios numa quinta situada perto de uma pequena cidade (concebida pelo autor). Decorrendo durante um ano, no período da Grande Depressão, não há, nesta narrativa de uma infância rural, nada de especialmente traumático ou excepcional, mas simplesmente os pequenos grandes acontecimentos que constroem uma identidade: o prazer que se tem com a primeira luva de baseball, a importância da inicial sova que se deu, a aprazível descoberta da amizade, mas também  do medo e da possibilidade do sofrimento e da morte. Retrata-se um mundo ainda fechado, ainda sem referências exteriores (a televisão ainda não existe), mas que, por isso mesmo, parece eterno e imutável: a vida urbana é ainda uma longínqua possibilidade que se antevê com o primeiro combóio que se vislumbra ao passar ou com o erguer dos primeiros postos de electricidade…

Há, segundo a crítica, uma notória intenção estilística de clareza, simplicidade e contenção, numa escrita emotiva sem ser sentimental nem nostálgica, sem grandes descrições nem caracterizações históricas e em que a contextualização epocal é principalmente dada pelo comportamento e o modo de sentir das personagens. 

O romance já foi traduzido para francês, italiano e alemão.

Abril de 2022.

 

Foto do autor de Ruthie Earley.



 


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