segunda-feira, 23 de maio de 2022

JUAN LUIS ZABALA

 


A Vontade de Ler: Um Autor, uma Obra

16. Juan Luis Zabala (1963-)

É um escritor basco que utiliza como instrumento de expressão literária a língua do seu povo. Com uma obra diversificada, abrangendo a poesia, a literatura para a infância e juventude, a biografia, o conto e o romance, já granjeou vários prémios, principalmente no domínio do conto. É também jornalista e tradutor.

Segundo a crítica, nos seus primeiros romances, publicados na década de oitenta, “Zigarrokin ziztrin baten azken keak”, 1985, e “Kaka esplikatzen”, 1989, (respectivamente, em tradução literal, “A Última Fumaça de um Imundo Cigarro” e “A Merda Explicada”), com uma estrutura epistolar, existe certas afinidades entre a sua prosa e alguma narrativa da Europa Central (Handke, Bernhard, etc.). Mas é apenas com os romances publicados após um amplo período de interregno, nos finais da década seguinte e no presente século, que consegue um maior reconhecimento do público e da crítica.

Esses romances, alguns deles “inspirados” na sua experiência pessoal, são “Galdu arte”, 1996, que tem como contexto o movimento dos “gaztetxes”, centros juvenis culturais criados com a ocupação de casas devolutas na década de oitenta no país basco (e que já foi traduzido para espanhol com o título “Hasta la derrota, siempre”), “Agur, Euzkadi”, 2000, (em tradução literal, “Adeus, Euzkadi”) e “Txistu eta biok”, 2016, (também traduzido para espanhol com o título “Txistu y yo”) que granjeou um prémio concedido pelos editores e livreiros bascos.

Na nossa opinião, o romance mais interessante é talvez “Agur, Euzkadi”. O romance centra-se na “ressurreição”, nos finais da década de noventa, de Lauaxeta (um poeta e jornalista basco que foi fuzilado em 1937 pelas tropas fascistas de Franco) e que aparece em Guernica, sem saber como nem compreendendo nada do que o rodeia. Depois de um momento de perplexidade, decide aceitar esta nova vida e vai procurar apoio para se saber situar, encontrando-o em Julen, um outro jornalista, que acredita na sua história, e que o leva a conhecer o actual País Basco. Esta trama simples permite a Juan Luis Zabala, através dos diálogos entre as duas personagens, efectuar uma longa reflexão sobre o papel da morte e o sentido da vida, sobre o fluir do tempo, assim como sobre os valores e os modelos da sociedade contemporânea.

A crítica refere que existem algumas similitudes entre este romance e “O Ano da Morte de Ricardo Reis” de José Saramago.   

Maio de 2022.

Direitos autorais da foto do escritor pertencem ao Diário Vasco.



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