A Vontade de
Ler: Um Autor, uma Obra
16. Juan
Luis Zabala (1963-)
É um escritor basco que utiliza como instrumento de
expressão literária a língua do seu povo. Com uma obra diversificada,
abrangendo a poesia, a literatura para a infância e juventude, a biografia, o
conto e o romance, já granjeou vários prémios, principalmente no domínio do
conto. É também jornalista e tradutor.
Segundo a crítica, nos seus primeiros romances,
publicados na década de oitenta, “Zigarrokin ziztrin baten azken keak”, 1985, e
“Kaka esplikatzen”, 1989, (respectivamente, em tradução literal, “A Última
Fumaça de um Imundo Cigarro” e “A Merda Explicada”), com uma estrutura
epistolar, existe certas afinidades entre a sua prosa e alguma narrativa da
Europa Central (Handke, Bernhard, etc.). Mas é apenas com os romances
publicados após um amplo período de interregno, nos finais da década seguinte e
no presente século, que consegue um maior reconhecimento do público e da
crítica.
Esses romances, alguns deles “inspirados” na sua
experiência pessoal, são “Galdu arte”, 1996, que tem como contexto o movimento
dos “gaztetxes”, centros juvenis culturais criados com a ocupação de casas
devolutas na década de oitenta no país basco (e que já foi traduzido para
espanhol com o título “Hasta la derrota, siempre”), “Agur, Euzkadi”, 2000, (em
tradução literal, “Adeus, Euzkadi”) e “Txistu eta biok”, 2016, (também traduzido
para espanhol com o título “Txistu y yo”) que granjeou um prémio concedido
pelos editores e livreiros bascos.
Na nossa opinião, o romance mais interessante é talvez
“Agur, Euzkadi”. O romance centra-se na “ressurreição”, nos finais da década de
noventa, de Lauaxeta (um poeta e jornalista basco que foi fuzilado em 1937
pelas tropas fascistas de Franco) e que aparece em Guernica, sem saber como nem
compreendendo nada do que o rodeia. Depois de um momento de perplexidade,
decide aceitar esta nova vida e vai procurar apoio para se saber situar,
encontrando-o em Julen, um outro jornalista, que acredita na sua história, e
que o leva a conhecer o actual País Basco. Esta trama simples permite a Juan
Luis Zabala, através dos diálogos entre as duas personagens, efectuar uma longa
reflexão sobre o papel da morte e o sentido da vida, sobre o fluir do tempo,
assim como sobre os valores e os modelos da sociedade contemporânea.
A crítica refere que existem algumas similitudes entre
este romance e “O Ano da Morte de Ricardo Reis” de José Saramago.
Maio de 2022.
Direitos autorais da foto do escritor pertencem ao
Diário Vasco.


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